
Naturalistic é um termo que no Brasil já vem sendo discutido a um bom tempo. No evento da Nipon Bonsai o termo finalmente pode ser visto e estudado de perto, não com suposições ou interpretações, mas pelo próprio “inventor” do mesmo. Mr. Walter Pall esteve presente em nosso evento e tratou do tema de forma abrangente e profunda.
Alguns pontos abordados por ele:
Naturalistic não é um novo estilo, e sim um resgate de algo que estava se perdendo. Com o passar do tempo o bonsai tomou formas artísticas abstratas e plásticas. Não se trata mais de retratar a natureza e sim um ideal imaginário na mente do artista. Naturalistic é um contraponto, uma volta ás raízes.
Trabalhar bonsai nesta visão não é algo fácil, como muita vezes se imaginou. Trata-se de um trabalho que exige maestria e um profundo conhecimento artístico e estético, que precisa antes de tudo um conhecimento geral do que é um bonsai, tanto pelas escolas fundadoras como na sua filosofia.
O objetivo principal é criar um bonsai (árvore) que desperte sentimentos em seu observador. Cada ramo, cada galho quebrado, ou raiz nodosa deve comunicar um só sentimento, uma unidade. A árvore deve contar uma história, ou transportar o observador a lembranças de sua vida.
O trabalho não consiste em “ajeitar” de qualquer forma um emaranhado de galhos para formar uma copa. Muitas vezes, quando se fala deste estilo, tem se a impressão que é um jeito fácil de fazer bonsai. Basta apenas formar uma copa e pronto (isso seria um arbusto decorativo ou uma cerca-viva, ou uma topiaria). Outros imaginam que é um trabalho a ser feito em planta que não servem para outra coisa, como uma forma de aproveitamento de material. Pelo contrário: é um trabalho árduo e complexo, repleto de sentimento em que cada detalhe tem uma razão de ser e de estar ali.
As regras e diretrizes do bonsai clássico não são jogadas fora. Pelo contrário, são exploradas ao máximo. Mas elas deixam de modelar o bonsai e passam a modelar a visão do bonsaista. A própria planta diz o que eles quer ser, e o artista, com a ajuda das regras, interpreta da melhor forma possível o que a planta lhe fala.
Com tudo isso, cada planta será única, terá sua forma, sendo semelhantes e ao mesmo tempo distantes dos estilos clássicos, terá uma alma própria que será o reflexo da alma do seu criador.
Outro grande enfoque do bonsaista Walter Pall é que não é possível fazer bonsai em pouco tempo. O tempo é fundamental no desenvolvimento da árvore de forma natural. A idéia de que naturalistic seja uma forma de conseguir resultados rápidos e fáceis é um grande engano.
Fundamental é deixar o mínimo de marcas de ação humana. A ausência de marcas da interferência humana não significa não trabalhar a planta. Antes, é deixar ela desenvolver como se não tivesse a interferência humana, e isso somente o tempo é capaz de fazer.
Walter falou em nos centrarmos no que é fundamental: o espírito, a essência do bonsai. Não perdermos tempo tentando descobrir a melhor formula, o melhor método, o jeito mais rápido, etc.
Depois de tudo isso, encerramos com um churrasco onde o Walter nos contou um pouco de sua vida. Ele largou um emprego muito bem remunerado para se dedicar aquilo que ele ama fazer. Com todo tempo do mundo, sem pretensão alguma de se tornar mestre. As coisas foram acontecendo naturalmente.
Creio que é tempo de avaliarmos nossa forma de encarar o bonsai. Estamos sempre procurando formulas mágicas de fazer em 2 anos o que leva 5 anos. Isso nos desgasta, faz perder o enfoque e torna o bonsai algo cansativo e pouco prazeroso.
Além de todo o espírito competitivo que criamos ao tentarmos sempre ser os melhores. Bonsai definitivamente é muito mais do que isso.
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** foto de Vanderlei